sábado, 31 de julho de 2010

Decote


Era a primeira vez que íamos sair.

As minhas pernas estavam trêmulas, nem sabia mais o que tinha que fazer, o que tinha que falar, estava com medo de fazer tudo errado.

Já fazia mais de 4 anos que não tinha um encontro.

Ela chegou e naquele momento esqueci tudo que planejava falar.

Mas uma coisa aconteceu: ela estava com decote.

Eu não conseguia controlar os meus olhos, eles tinham vida própria naquele momento.

Quando eu percebia eles já estavam lá, mergulhados naqueles belos seios.

Nada fazia os meus olhos me obedecerem.

Então comecei a ficar desesperado e falar um monte de coisas sem sentido.

Não conseguia me concentrar em nada, nem prestar atenção no que ela falava.

Então achando que ia acabar com tudo, eu disse:


- Me desculpa, mas não posso conversar com você assim.

- Assim como?

- Com você vestida desse jeito...

- Porque? você não gostou?

- Gostei, mas é que não consigo parar de olhar para o seu decote, me desculpa.

- Tudo bem querido. Então, vamos para casa comigo. Eu tiro.


Levantei cadeira e agradeci meus olhos! Foi a melhor noite da minha vida.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Expectativa


Expectativa é criar uma peça com roteiro, personagens e falas.

É tentar descobrir o mistério do futuro.

É querer fazer um raio-X em uma caixinha de surpresas.

Um sentimento besta criado por quem espera sempre mais.

Sem expectativas um momento é bom ou ruim.

Com expectativas é como estava no roteiro, ou é ruim.


Sim. Esse é o final do texto. Sem surpresa. Sem desfecho. Talvez sem um fim.

Simples assim. Estava esperando mais?

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Elevador


Ele soltou um bom dia sem fazer som algum.
Eu respondi balançando a minha cabeça e dando um leve sorriso.
Ele começou a ler os recados do síndico.
As pessoas fazem isso quando não querem conversar ou quando estão envergonhadas.
O tempo do 9° andar até o térreo parecia uma eternidade.
Eu não tinha o que falar, mas mesmo assim procurava um assunto.
Estávamos no 6º andar e eu continuava pensando.
Estava chovendo muito lá fora, mas seria óbvio demais.
Talvez a Copa não fosse um bom assunto. Afinal, o Brasil perdeu.
Comentar sobre o caso do Bruno poderia assustá-lo, não é um bom assunto para começar uma conversa...
Chegamos ao térreo, como todos os dias as 7h45 da manhã.
Ele abriu a porta do elevador e eu disse obrigada. Automático. Como todas as manhãs dos últimos 7 meses.
Eu olhei para ele indo embora e pensei: talvez amanhã. Como todos os dias desde que o vi pela primeira vez.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Encontro Homem x Mulher


Amiga: E aí como foi o encontro?

Mulher: Nossa, foi demais! Ele me levou para jantar em um restaurante maravilhoso na Vila Mariana. Me pegou em casa, abriu a porta do carro pra mim, muito cavalheiro...

Quando estávamos voltando ele disse: “para onde você quer ir agora?” e eu disse: “você manda”, fomos para o motel, lógico. Foi maravilhoso em todos os sentidos. Acho que estou apaixonada, amiga! Será que ele vai me ligar amanhã?


Amigo: E aí como foi o encontro?

Homem: Comi.

Traição


-Boa noite amor, como foi o trabalho? (beijinho na boca)
-Boa noite querida, foi bem cansativo hoje, tive reunião até agora.
-Pedro de Almeida Rezende, faz quanto tempo?
-Como assim amor? Faz quando tempo o que?
-Que você está me traindo. E com quem seu filho da ***?
-Como assim Rosana, você ficou maluca?
-Você não me engana. Já é a terceira vez esse mês.
-Do que você esta falando meu bem? Não estou fazendo nada... Eu juro que tive que ficar até mais tarde no trabalho... Eu juro!
-É melhor você dizer.
-Porque você está falando isso? O que eu fiz?
-Pedro, esse cheiro. Aqui em casa usamos Dove, ouviu bem? D O V E. Sabonetes de motel não são Dove!
-Eu posso explicar querida...

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Mentiras


Ele mentiu pra ela uma vez.

Ela descobriu e o perdoou.

Ele se acha o bom.

Ela sabe que é melhor.

Afinal, ele nunca descobriu.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Para sempre criança


Seja criança. Não deixe que as suas melhores lembranças, seus melhores momentos sejam apagados por uma vida cinza qualquer.
A infância é valiosa, a vida passa, os anos passam e de repente você não é mais criança. De repente você não tem mais amigos imaginários, talvez nem amigos de verdade.
Você vira outra pessoa, e sequer percebe a mudança, quando você vai ver, já não acha mais graça em andar descalço, não dá importância a uma caixa de lápis de cor, não corre mais por prazer, não percebe como as flores são bonitas, não se lembra mais do sabor de um dinplink, de como é divertido se sujar no barro ou de correr debaixo de uma chuva de verão.
As pessoas crescem e a vida começa a seguir no piloto automático, como se nada mais tivesse sentido, como se nada mais fosse importante. A maturidade chega, as prioridades mudam e um dia você não sabe mais nada além do seu nome. A história se apaga, as lembranças escurecem, a felicidade se torna aquela coisa utópica que todos procuram e ninguém tem, e que na verdade só está lá no fundo esquecida, perdida em algum lugar no tempo, em algum baú de brinquedos ou talvez em um pequeno ursinho de pelúcia, que um dia foi a razão de muitos momentos inesquecíveis.
Quando você é criança você não procura a felicidade. Você é feliz simplesmente porque não precisa de motivos para ser feliz.

Um Beijo


Um pequeno movimento de dois lábios se encontrando lentamente na busca de sensações e prazeres.
O que vai acontecer depois? Isso não importa.
O calor dos lábios úmidos, se encaixando lentamente como um quebra cabeça perfeito.
Um beijo envolve. Aquece. Perturba. Sacia. Completa. Apaixona. Arrepia. Provoca.
Com a mania de querer sempre mais, as pessoas só querem e só pensam em sexo.
E se esquecem de que tudo começou com um beijo.

Ele perdeu


Ele estudou mais. Perdeu a diversão.
Ele se tornou importante. Esqueceu dos amigos.
Ele trabalhou muito. Esqueceu das crianças.
Ele perdeu tempo. Ganhou rugas.
Ele ganhou muito dinheiro. Perdeu a mulher, as crianças e os amigos.

Ela só precisava de ouvidos


- Boa noite, meu bem.
- Boa noite querido, como foi o seu dia?
- Bem cansativo. E o seu?
- Nossa! Foi terrível. As crianças estavam incontroláveis. A Isabella não parava de chorar, o Bruno não me obedece. A professora da escola ligou dizendo que se as notas dele não melhorarem, ele vai repetir esse ano. E a Luana está me enlouquecendo.
Você não sabe o que é aguentar uma pré-adolescente em crise 24 horas por dia.
Não sei mais o que eu faço com essas crianças. A minha chefe ligou pedindo para eu voltar dia 5, mas nenhuma empregada fica mais de uma semana nessa casa!
- Nossa, dia tenso. Vamos tomar um chá?
- Ótima ideia.

Consequência


Ele estava atrasado.
Ela já estava pronta.
Ele não foi.
Ela nunca voltou.