quarta-feira, 14 de julho de 2010

Elevador


Ele soltou um bom dia sem fazer som algum.
Eu respondi balançando a minha cabeça e dando um leve sorriso.
Ele começou a ler os recados do síndico.
As pessoas fazem isso quando não querem conversar ou quando estão envergonhadas.
O tempo do 9° andar até o térreo parecia uma eternidade.
Eu não tinha o que falar, mas mesmo assim procurava um assunto.
Estávamos no 6º andar e eu continuava pensando.
Estava chovendo muito lá fora, mas seria óbvio demais.
Talvez a Copa não fosse um bom assunto. Afinal, o Brasil perdeu.
Comentar sobre o caso do Bruno poderia assustá-lo, não é um bom assunto para começar uma conversa...
Chegamos ao térreo, como todos os dias as 7h45 da manhã.
Ele abriu a porta do elevador e eu disse obrigada. Automático. Como todas as manhãs dos últimos 7 meses.
Eu olhei para ele indo embora e pensei: talvez amanhã. Como todos os dias desde que o vi pela primeira vez.

Um comentário:

  1. Belo texto hein, Nath?

    Parabéns.

    Bjos!


    www.blogengolindosapos.blogspot.com

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